Quantas sessões de terapia são necessárias? O que define
Não existe um número de sessões que sirva para todo mundo. A terapia não é um pacote fechado, com prazo e resultado definidos de antemão. O tempo varia com o que você quer trabalhar, com o seu ritmo e com a forma como a psicóloga conduz o processo. O que dá para fazer é combinar objetivos logo no começo e revisar juntos, de tempos em tempos, se o caminho faz sentido.
Por que a resposta é “depende”
“Depende” parece fuga, mas aqui é a resposta honesta. Três fatores pesam mais.
1. O que trouxe você até a terapia. Uma questão pontual, como uma decisão difícil, uma mudança de cidade ou uma fase de muita pressão no trabalho, tende a pedir um caminho mais curto. Já a vontade de entender um padrão que se repete há anos, como relações que sempre terminam do mesmo jeito, costuma levar mais tempo.
2. A forma de trabalhar da psicóloga. Cada abordagem tem um ritmo. Há abordagens que seguem um roteiro mais definido, olham mais para o agora e propõem exercícios para fazer em casa. Há outras que dão mais espaço à sua história e deixam a conversa correr mais livre. São caminhos diferentes, e não existe um que sirva melhor para todo mundo. Nas minhas sessões online, trabalho com [abordagem], e explico como isso funciona logo no início.
3. O seu ritmo. Com que frequência vocês se encontram, se os encontros seguem sem longas pausas e o quanto você se sente à vontade para se abrir: tudo isso muda o tempo total. E a vida acontece no meio do caminho: novas questões podem surgir e mudar o rumo.
Trocar a pergunta: de “quantas” para “como estamos indo”
Em vez de contar sessões, ajuda transformar a dúvida em algo que dá para avaliar. Algumas sugestões práticas:
- Diga logo no começo o que você espera. Pode ser simples: “quero dormir sem ficar remoendo o dia” ou “quero entender por que reajo assim com a minha família”.
- Pergunte como a psicóloga imagina o trabalho. É uma pergunta legítima. Ela pode não ter uma data, mas pode explicar o caminho que vê.
- Combinem um momento para revisar. Por exemplo, a cada dois ou três meses, uma conversa sobre o que mudou, o que continua difícil e se o objetivo ainda é o mesmo.
Assim a dúvida deixa de ser “quantas sessões faltam?” e vira “estamos indo na direção que combinamos?”. Essa segunda pergunta tem resposta.
Duração e frequência das sessões
Uma sessão individual dura, em geral, uns 50 minutos. Há quem trabalhe com 45 ou com 60. O tempo, a frequência e o valor fazem parte do combinado inicial e devem ficar claros antes de começar.
A frequência mais comum é semanal. Uma semana de intervalo permite que o assunto ainda esteja vivo no próximo encontro. Isso ajuda a construir confiança, o que pesa especialmente no começo.
Quinzenal pode funcionar, principalmente quando o processo já está mais assentado, numa fase de manutenção. O que costuma dar errado é o encontro semanal que, na prática, vira esporádico porque as faltas se acumulam. Se o ritmo semanal ficou pesado, por agenda ou por orçamento, fale disso na sessão. Uma frequência menor, combinada e mantida, tende a render mais do que a ideal que não se sustenta.
Duas vezes por semana também existe. Aparece mais em certas abordagens ou em momentos de sofrimento maior. Se for proposta, a psicóloga deve explicar o motivo.
Sinais de que a terapia está em movimento
A terapia nem sempre é confortável. Mesmo assim, alguns sinais mostram que ela está andando:
- depois do encontro, você fica refletindo sobre algo, e não apenas sente um alívio rápido;
- o que foi combinado no começo é retomado de vez em quando;
- você se sente escutado, sem julgamento, e consegue tocar em assuntos que guarda dos outros;
- coisas que antes tiravam você do eixo começam a pesar um pouco menos.
Alguns sinais pedem uma conversa franca sobre o rumo:
- passados alguns meses, você não consegue dizer qual é o foco do trabalho;
- os encontros parecem sempre iguais e nada do que foi combinado é retomado;
- você não se sente à vontade com a profissional.
Nesses casos, o melhor primeiro passo é levar o assunto para a sessão. Às vezes um ajuste resolve. Às vezes a conclusão é que outro profissional combina mais com você, e isso é normal.
Expectativas que nunca foram ditas costumam virar frustração. Falar desde o início sobre o que você espera ajuda a evitar desistências por mal-entendido.
Sentir-se pior em algum momento
Falar do que dói pode mexer com coisas guardadas. Por isso, algumas fases da terapia podem ser mais pesadas. Isso não é sinal de que algo deu errado.
Já um sofrimento muito forte, a rotina desmoronando ou ideias de se machucar não fazem parte do esperado. Fale com a sua psicóloga o quanto antes. Se precisar de ajuda na hora, o CVV atende pelo 188, de graça, a qualquer hora, e você também pode procurar o CAPS, uma UPA ou ligar para o SAMU no 192.
Quem decide parar
A decisão de encerrar é sua. Muitas pessoas sentem que precisam de autorização para parar. Outras simplesmente deixam de aparecer porque não sabem como tocar no assunto. Você não precisa nem de uma coisa nem da outra.
A psicóloga tem o dever de respeitar a sua autonomia. Ela pode, e deve, dizer o que pensa: que ainda vê questões em aberto, ou que concorda que o objetivo foi alcançado. Também pode sugerir diminuir a frequência aos poucos. Isso é sugestão, não condição.
Algumas coisas ajudam no encerramento:
- Avisar antes. Um último encontro de despedida ajuda a olhar para o percurso e para o que fica com você.
- Contar o motivo, se possível. Falta de tempo, questão financeira, sensação de estagnação ou de dever cumprido. Cada razão abre uma conversa diferente, e algumas têm saída simples.
- Saber que dá para voltar. É comum voltar à terapia em outros momentos da vida, quando surge uma nova necessidade.
O caminho inverso também existe: a psicóloga pode sugerir encerrar ou indicar outro profissional, quando a sua demanda pede outro tipo de cuidado. Você pode pedir que ela explique o motivo.
Se quiser conversar
Eu atendo adultos online, por vídeo. Se você quer entender como seria começar, como combinamos a frequência ou como revisamos o andamento juntos, pode me mandar uma mensagem pelo WhatsApp ou por e-mail. É só uma conversa para tirar dúvidas, no seu tempo.
Perguntas frequentes
Quantas sessões de terapia são necessárias?
Não há um número certo. A duração depende do que você quer trabalhar, do seu ritmo e de como a psicóloga conduz o processo. O mais útil é combinar objetivos no começo e revisar o andamento de tempos em tempos.
Quanto tempo dura uma sessão de terapia?
É comum a sessão individual durar cerca de 50 minutos. O tempo exato faz parte do combinado com a psicóloga e deve ficar claro antes de começar.
Terapia a cada 15 dias funciona?
Pode funcionar, em especial em fases de manutenção. O importante é que a frequência seja combinada e mantida. Faltar sem combinar, semana sim, semana não, costuma atrapalhar mais do que ajudar.
Quem decide quando parar a terapia?
Você. A psicóloga pode dar a opinião dela e sugerir um encerramento aos poucos, mas a decisão é sua. O ideal é avisar e fazer uma conversa de fechamento.
Indaia Maria S. de Lima · Psicóloga · CRP-12/21809. Atendo adultos a partir de [18] anos, online, por videochamada. Saiba mais sobre mim.